Tens de saber, Di, que o Hulk é um super-herói diferente de todos os outros. Ele não se divide como o Homem-Aranha, nem é dissimulado e cínico como o Super-Homem. Hulk é diferente porque é feito de verdade; o seu ódio e a sua raiva são a sua revolta contra a tirania e a injustiça. O seu ódio é a sua motivação; a sua raiva, o seu superpoder. Tu não vais querer vê-lo furioso.
São tão ridículos e frágeis os pequenos homens fardados sem os seus brinquedos de fogo e as suas armas de morte — pensa Hulk num salto para fora do alcance do olhar.
Ainda no ar, Hulk esboça algo vagamente semelhante a um sorriso ao recordar as criaturas falantes que acreditam na verdade das suas mentiras. Os homens não sabem correr com os seus próprios pés, atacar com as suas próprias mãos, nem morder com os próprios dentes; necessitam de ferramentas, de máquinas, para abater e triturar. O corpo do Hulk é a própria bala, a massa de ataque, e a sua força uma fonte renovável de energia.
Apesar de tudo, Hulk é terno quando protege a amada de Bruce, sobretudo apesar de odiar Bruce.
Por isso, Di, eu acho que deves reconsiderar. O Super-Homem é um extraterrestre, ninguém quer ser como ele. É verdade que é difícil querer ser como o Hulk, mas conseguimos compreendê-lo porque ele é feito de verdade. O seu grito de revolta poderia ser o nosso grito e, tal como ele, também somos indestrutíveis se não nos conformarmos com a tirania e com a injustiça.

